Como encarar os medos e vencê-los - Loretta Harrop - Coaching Esportivo

Como encarar os medos e vencê-los – Loretta Harrop – Coaching Esportivo

Como encarar os medos e vencê-los. Para entender melhor como o fato de ter uma crença inabalável em si mesmo pode ser uma ferramenta usada para alcançar resultados consideráveis, vamos olhar dentro da mente de mais uma campeã e ouvir, em suas próprias palavras, o que se passa ali.

Assim como várias jovens australianas, Loretta Harrop gostava de esportes. Mas, diferentemente da maioria das garotas, ela decidiu torna-se uma atleta profissional (no caso dela, competindo em triatlos). Para conseguir recursos, foi avaliada pelo Instituto Australiano de Esportes, para ver se tinha verdadeiro potencial. Depois de todos os testes e de ter sido medida, Loretta foi informada de que não tinha medidas de campeã – ela estava, na verdade, abaixo da média. Bem, o Instituto Australiano de Esporte é amplamente reconhecido como um dos melhores do mundo, por isso, se eles avaliarem que alguém não tem potencial, então esse alguém realmente deveria considerar a hipótese de fazer outra coisa na vida.
E como Loretta reagiu aos resultados?

“Lembro-me de ter ficado bastante irritada com o fato de ter que interromper meu treinamento naquele dia. No entanto, se eu queria recursos, tinha que me submeter aos testes do instituto. Mas minha atitude era completamente despreocupada. NA verdade, eu até mesmo ostentava uma atitude desafiadora porque sabia quais eram meus objetivos e o que eu queria realizar. Eu tinha uma enorme confiança de que iria chegar ao topo. Depois que fiz o teste, eles disseram que eu estava abaixo da média. Tive de rir. Eu sabia que seria grande e acharia uma forma de ser grande mesmo que não passasse nos testes deles. Eu nem sabia o que os testes significavam, então por que eu me importaria com o número que me dessem? Mesmo que eles julgassem que eu jamais seria uma campeã, eu acreditava que seria.”

Loretta não conseguiu ser patrocinada pelo Instituto Australiano de Esportes, e mesmo treinando mais do que qualquer outra pessoa, ela ainda não conseguia vencer. Dia após dia, ampliava seus esforços e sentia muitas dores devido ao esforço excessivo. Imagine como ela dever ter se sentido um ano mais tarde – depois de todo treinamento intensivo, todo trabalho árduo e todos os sacrifícios a que tinha se submetido – quando perdeu novamente. Certamente, as palavras ouvidas no Instituto de Esportes ressoaram em seus ouvidos: “Você nunca será uma campeã. Vá fazer outra coisa.”

Ela teria todos os motivos do mundo para desistir. Motivos válidos certificados pelo Instituto de Esportes. Agora pense por um momento como você teria se sentido se estivesse na mesma situação. Você seguiria em frente? No que você teria pensado quando estivesse sozinho à noite, deitado em sua cama, depois de uma corrida malsucedida, e as palavras do Instituto surgissem para assombrá-lo? Mas Loretta nunca desistiu. Sua resposta ao fracasso foi compreender que deveria treinar ainda mais. Essa enorme ética profissional de à Loretta um bônus extra. Diferentemente da maioria dos atletas, Loretta nunca sofria de ansiedade antes das corridas.

“Eu era diferente da maioria das minhas concorrentes porque quanto mais a hora da corrida se aproximava, mais confiante eu ficava. Eu sabia que havia treinado mais do que as outras competidoras, e essa era a chave do meu preparo e do meu sucesso. Meu arraigado senso de dever era a garantia de jamais duvidar de mim ou de minha capacidade no dia da corrida. Isso me dava confiança na linha de largada. Meu mantra antes de uma corrida sempre era… “Vamos lá”! Eu queria ver o que seria capaz de fazer em seguida.”
Que atitude fantástica. Para Loretta, uma corrida era uma oportunidade de avaliar a si mesma e verificar quanto progresso havia feito. Seu trabalho árduo durante os treinamentos era a plataforma sólida sobre a qual repousava sua autoconfiança para as corridas. Uma plataforma que Loretta usava para desmoralizar as competidoras: “Sou muito concentrada em uma corrida. Para mim, é como ir para a guerra. Eu conversava comigo mesma quando sentia dores físicas, apreciando-as quanto as outras garotas também estavam sentindo dores. Eu acreditava que era a mais preparada ali, e, se eu estava com dores, então elas deviam estar sentindo dores mais intensas do que as minhas. Durante a corrida, eu escolhia um momento no qual dizia para mim mesma: ‘Certo, agora enfie a faca e torça a lâmina’. Eu sou muito agressiva, mesmo que ninguém perceba isso.”

Loretta não queria ser uma perdedora. “Então enfrentei meus medos, pois não tinha escolha. Esse é o melhor jeito para mim. Trabalho muito bem em circunstância em que ‘não há escolha’. Quando as coisas dão terrivelmente errado na minha vida, tenho de encará-las. Não havia como me esconder. Eu sempre tratei todos os medos dessa forma.”

Com uma atitude mental como essa, não é surpresa que Loretta tenha ganhado a medalha de ouro no Campeonato Mundial de Triatlo e uma medalha de prata nas Olimpíadas de Atenas.
Então, se você algum dia pensar que não é bom o bastante, ou que tem uma desculpa para desistir ou para perder a confiança em si mesmo, pare por um instante e pense em Loretta. É provável que ela tenha tido mais desvantagens e barreiras que ultrapassar do que você jamais terá. Pense na incrível ética de trabalho dela e em como isso lhe proporcionou a plataforma para sua autoconfiança. Sua incansável atenção aos detalhes durante a preparação e os treinamentos. Sua capacidade para encarar seus piores medos e vencê-los. Sua atitude de soldado em batalha durante uma corrida. Sua crença inabalável em si mesma, apesar do que qualquer um pudesse dizer. Agora, imagine quanto ela se sente orgulhosa ao olhar para aquelas medalhas sobre o console da lareira. A silenciosa satisfação de um trabalho bem-feito, indo contra todas as expectativas.

Fonte:
Spackman, Kerry. A Bíblia do Vencedor. 1ª ed. – São Paulo: Editora Fundamento Educacional Ltda.,2015. p.144-147.

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