Mentalização - Coaching Esportivo - Linhares Coach

Mentalização – Coaching Esportivo – Linhares Coach

A mentalização, também chamada de ensaio mental, ensaio cognitivo ou imaginação, é uma técnica psicológica proposta na Teoria Cognitivo-Comportamental que tem como objetivo promover com o indivíduo momentos específicos e previamente planejados nos quais ele imagina-se realizando com perfeição uma determinada tarefa, atividade ou comportamento (CABALLO, 2007).
Martin (2001) sugere que esta técnica pode ser utilizada em diversos momentos da prática esportiva, tanto em treinamentos quanto em competições.
Caballo (2007) explica que a estratégia pode gerar efeitos psicológicos e fisiológicos que se assemelham à execução real da tarefa, naturalmente, em menores intensidades. Neste sentido, contribui com o processo de aprendizagem, do ponto de vista neurológico, psicológico, fisiológico e motor. Weinberg e Gould (2017) sugerem que sua prática promove a visualização mental da situação real, recriando experiências positivas, possibilitando:

a) a imaginação de novos eventos ou desempenhos que devem ser repetidos;
b) a preparação mental para atuar, com a definição de roteiros pré-estabelecidos e o planejamento da rotina de mentalização no cotidiano do atleta.

Weinberg e Gould (2017) a recomendam para vários objetivos ligados à autorregulação e desenvolvimento esportivo do atleta. Indicam seu uso para:
• o controle da ativação psicofisiológica (indução),
• gerenciamento de respostas emocionais,
• aumento da autoconfiança,
• controle do foco positivo de atenção para melhora da concentração,
• planejamento mental na rotina de treinos e competições,
• aquisição, prática e aperfeiçoamento de habilidades físicas e psicológicas (mentais, emocionais e comportamentais),
• preparação para competir,
• tratamento de lesões e soluções de problemas.

Martin (2001) esclarece que esta deve estar inserida na rotina previamente planejada dos atletas. Inicialmente prepara-se o roteiro com as cenas que serão imaginadas. Esta etapa ocorre em conjunto com o atleta e, se necessário, com o(s) profissional(is) que o acompanha(m), dependendo do objetivo de seu uso.
O autor atenta aos seguintes aspectos durante esta etapa:

  • O roteiro de cenas será criado e adaptado às necessidades, capacidades e objetivos do atleta. A ideia é que este seja inserido na rotina do indivíduo e, por isso, estes aspectos devem ser previamente planejados.
  • Consideram-se detalhes ligados aos aspectos físicos do movimento,
  • às características do ambiente,
  • características da tarefa que será imaginada,
  • situação ou contexto no qual o movimento será realizado na imaginação,
  • e emoções ideais associadas ao momento de sua execução no ensaio mental.
  • Leva-se em conta, ainda, a perspectiva de imaginação – preferencialmente que o atleta se imagine realizando, percebendo o próprio corpo em primeira pessoa; se não conseguir, pode iniciar a prática observando-se na perspectiva externa, em terceira pessoa.

Weinberg e Gould (2017) destacam a importância de que, previamente, se verifique a habilidade do atleta de imaginar as cenas. Estes podem apresentar dificuldade em realizar esta técnica, imaginando cenas com pouca nitidez e, por vezes, que não conseguem controlar. Tentam imaginar-se executando a tarefa corretamente, porém espontaneamente imaginam-se errando. Nestes casos, a habilidade psicológica de mentalização deve ser treinada gradativamente, até que seja aprendida.

Recomenda-se que para sua prática seja escolhido um ambiente adequado, associado ao contexto esportivo e no qual o atleta se sinta bem. É interessante realizar um aquecimento prévio à técnica, com algumas respirações profundas ou, se necessário, relaxamento. Finalmente, identificar as expectativas do praticante em relação ao seu uso e os efeitos provocados por ela, já que esta não substitui outras práticas específicas no desenvolvimento das diversas habilidades esportivas (WEINBERG; GOULD, 2017).

Complementarmente, os autores sugerem que a natureza das cenas varie, com tarefas do ponto de vista técnico, tático, físico e psicológico; que, nestas, o atleta imagine toda a execução da tarefa com a máxima perfeição possível, assim como o resultado final. No preparo do roteiro podem ser utilizadas cenas gravadas, durante a prática da imaginação o atleta deve imaginar-se na situação real e, ao final pode emitir feedbacks sobre a qualidade da imaginação, a fim de aperfeiçoar sua habilidade de mentalização.

Thiago Linhares

MENTALIZAÇÃO – ENSAIO MENTAL – ENSAIO COGNITIVO – IMAGINAÇÃO – VISUALIZAÇÃO

Referências:

CABALLO, Vicente E. Manual de técnicas de terapia e modificação do comportamento. São Paulo: Livraria Santos Editora Com. Imp. Ltda., 2007. Tradução: Marta Donila Claudino.
WEINBERG, Robert; GOULD, Daniel. Fundamentos da Psicologia do Esporte e do Exercício. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. Tradução: Maria Cristina Gulart Monteiro, Regina Machado Garcez.
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